terça-feira, 13 de outubro de 2026

Carta aberta a um ex-amigo ( * Lira Neto )


Não, meu caro ex-amigo, não podemos continuar amigos, nem lá nas redes sociais nem aqui na vida real. Sinto muito. Amigos meus não fazem arminha com a mão, nem muito menos tripudiam da morte de alguém, alvejado por arma de verdade, no dia do próprio aniversário de cinquenta anos.

Amigos meus não fazem piada de atentados terroristas, não acham graça de bombas caseiras espalhando fezes, urina e veneno. Amizade, meu caro ex-amigo, pressupõe afinidades, conexões, empatias. Comunhão de interesses, sintonia de afetos.

Entre amigos, as diferenças são bem vindas, os modos de pensar não precisam ser idênticos. Você torce Flamengo; eu, São Paulo. Você se diz conservador; eu sou progressista. Você é de direita; eu, de esquerda. Até aí tudo bem. As assimetrias nunca impediram nossos abraços a cada reencontro.

Mas, convenhamos, há de se ter o mínimo de humanidade, uma dose que seja de compaixão para com a dor e a tragédia alheias. Você se diz cristão, cidadão de bem. Deus me livre desse seu cristianismo e da sua benquerença.

Você também se diz patriota, nacionalista. Seu avatar nas redes insociáveis é uma bandeira verde e amarela. Ainda assim, ignora o desmonte de um país inteiro, a degradação ambiental, a morte de indígenas, o garimpo ilegal, o estrangulamento das universidades públicas, a perseguição aos artistas, o sucateamento da saúde. Finge não ver o desmanche do Iphan, o esvaziamento da Funai e a ruína programada dos demais órgãos de preservação e controle.

Você filiou-se a uma seita desumana. Não quis tomar vacina, fez propaganda gratuita da cloroquina e até achou graça quando aquele sujeito abjeto, em tom de gracejo infame, simulou a falta de ar de um doente de Covid.

Você faz vistas grossas para o escândalo colossal do orçamento secreto, das emendas do relator, dos documentos colocados sob cem anos de sigilo. Você releva rachadinhas e rachadões. Espalha fake news, semeia desinformação.

Você, meu caro ex-amigo, se tornou uma pessoa má, rancoroso, ressentido. Agora deu para relativizar a ditadura e até defender a tortura. Diz que é a favor da vida e prega a proliferação das armas. Você bate palmas para quem quebrou a placa com o nome de Marielle. Quando Dom e Bruno morreram, assassinados, você pôs a culpa nas próprias vítimas.

Não te reconheço mais. Ou talvez não te conhecesse direito antes. De todo modo, vamos ter que dar um tempo em nossa amizade. Não sei se a sociopatia tem cura. Sinceramente, não lhe desejo o mal. Passe bem. Bem longe de mim.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

08 de outubro - Dia do Nordestino

Orgulho de ser nordestino !
Orgulho de ser potiguar !
Orgulho de ter a consciência de saber qual o meu lugar !
E mesmo que tudo venha a se "reiá" !
Eu ainda por aqui vou tá !
Por que um nordestino de verdade, jamais se entrega sem lutar !

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Esse áudio tem que ficar de prova ...

Esse eu tenho obrigação moral de deixar aqui, para sempre registrado. 

Pra que ninguém esqueça, mesmo depois que ele for embora.

Mesmo depois daqui a 4 anos , quando tudo tiver "escaralhado" 

O complexo de Dona Florinda

O problema do brasileiro, é ter esquecido o que é ser pobre de verdade. 

Ter esquecido o lugar do pobre.

Desaprender o que pobre pode ou não ter, onde pode ou não ir, o que pode ou não usufruir. 

Reclamam tanto que não saíram da pobreza, que não perceberam que saíram. Se acostumaram a ter uma TV enorme na sala, uma JBL, uma geladeira, um microondas, um fogão 6 bocas com acendimento elétrico, um chuveiro elétrico, sem falar naquele bom smartphone. 

Não sabem mais a diferença entre :

NÃO TER o que comer.
Não ter o que você QUER comer.

Mas "se avexe não"...

Já já , vai aprender seu lugar novamente.

EU tenho "casca" pra aguentar, pq já VIVI isso na pele.

E você? Que NUNCA passou por isso? Tá pronto pra saber como é?

Teu pastor, vai aceitar tu, no meio do rebanho, sem o dízimo pra entregar pra obra?

Quando teus clientes, que usam seu serviço que é SUPÉRFLUO, passarem a pesar o que mais importa, de onde tu vai tirar teu dinheiro?

Lembre que ...

Andar de Uber é luxo
Fazer as unhas é luxo 
Cortar cabelo no salão é luxo
Comprar a "birita" no FDS é luxo 

Tudo isso é supérfluo e pode ser cortado.

E aí ? Teu cliente é rico o suficiente pra não ter que escolher? Ou por acaso vc atende a um público classe A, Elite?

Vocês vão sentir na pele, e quando perceberem que forjaram a munição, tornearam a arma e deram um tiro no próprio pé, vai ser tarde demais.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Você perdeu o hábito de leitura, ou o livro era ruim ?

Ano passado, resolvi tomar vergonha na cara e parar de perder tempo rolando feed de rede social e voltar a ler. 

Havia visto resenhas positivas do livro "Herdeiros do tempo" , decidi começar por ele, nos primeiros capítulos, tinha sono, parava de ler, depois passei a gostar mais de uma determinada parte da narrativa ( os capítulos desse livro, se dividem uma para as aranhas e outro para os humanos ) que focava na parte destinada a mostrar a evolução de uma sociedade de aranhas em um planeta terraformado.

Só que lá pra o meio do livro, a leitura se tomava cada vez mais enfadonha. E no final das contas, fui abandonando aos poucos, até perceber que havia se passado UM ANO pra eu terminar "a força" a leitura desse livro, sem vontade alguma. 

Quando foi ontem, resolvi novamente pegar um livro, dessa vez aleatoriamente dentre os meus que não havia lido ainda, e um me chamou atenção para ele. O Ditador de Sidney Sheldon. 


Uma história que prendeu-me do início ao fim, com uma escrita agradável e envolvente, zero firulas, não cansativa e que me fez literalmente devorar as 158 páginas em 2 dias ( Teria lido tudo em um final de tarde só, se não fosse a correria de ter que conciliar a leitura e trabalho )

Dito isso, fica a reflexão:

As vezes não é você que tá com preguiça de voltar a ler. Mas o livro, que é ruim ao ponto de atrapalhar seu desejo de voltar ao hábito da leitura.


Ps: Apesar de não ter adaptação desse livro diretamente para o cinema, mas "Luar sobre Parador", com Raul Julia e Sônia Braga, não tem como negar que é exatamente a mesma história.